Direito à Educação – Palestra na FFCL-Ituverava-SP

Descrição: Texto utilizado como base para a palestra proferida na FFCL de Ituverava-SP no dia 07/10/2014 como parte das atividades da Semana Pedagógica – VI Semana de História, Letras, Matemática e Pedagogia.

Texto em PDF: Jeferson_FFCL_Ituverava2014

O DIREITO À EDUCAÇÃO NO CONTEXTO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS: FINANCIAMENTO, ACESSO E PERMANÊNCIA, GESTÃO DEMOCRÁTICA E QUALIDADE SOCIALMENTE REFERENCIADA

Jeferson Anibal Gonzalez

Agradecimentos

     Gostaria de agradecer ao convite da instituição nas figuras das professoras Fabiana Borges e Madalena Gracioli. Muito obrigado pela oportunidade. Quero cumprimentar o companheiro com o qual eu divido a mesa, professor Sebastião de Souza Lemes e também o público presente que acredito ser em sua maioria professore e estudantes dos cursos de Pedagogia, História, Letras e Matemática. Boa noite a todos!

Introdução

     Dentro do tema proposto para a mesa, qual seja, o das políticas educacionais, escolhi falar sobre o direito à educação por entender que a partir dele posso abarcar de maneira mais ampla o contexto atual das políticas educacionais, suas conquistas e desafios. Assim, a partir do mote geral do direito à educação pretendo abordar questões sobre o financiamento, o acesso e a permanência, a gestão democrática e a garantia de uma qualidade socialmente referenciada. Antes, contudo, entendo ser importante a organização da sociedade capitalista atual tendo em vista a sua expressão fenomênica, qual seja, o dualismo escolar.

Sociedade, dualismo escolar e o direito proclamado

     Partimos do entendimento da educação enquanto atualização histórico-cultural dos seres humanos, ou seja, compreendemos que a educação é a ferramenta que os seres humanos criaram para transmitir às gerações futuras o mundo cultural que foi produzido coletivamente ao longo do tempo. É por meio da educação que nos apropriamos do mundo humano. No entanto, vivemos em uma sociedade dividida em classes sociais antagônicas, com interesses opostos, onde essa apropriação se dá de maneira desigual. A partir do momento que a tribos primitivas entraram em conflitos e os perdedores foram escravizados, instaurou-se uma divisão entre os seres humanos: senhores (dominantes) e escravos (dominados). Instaurou-se também, a partir daí, o dualismo educacional: uma educação oferecida aos dominantes e outra aos dominados (PONCE, 2003).

    Ao longo da história esse dualismo educacional se converteu em dualismo escolar, ao passo que a educação escolar passou a ser forma dominante de educação com a consolidação da sociedade burguesa entre os séculos XVIII e XIX, na passagem de uma sociedade regida por laços de sangue a uma sociedade regida por contratos. Se a firma de contratos exige sujeitos letrados, a educação deve ser oferecida ao maior número de pessoas possível. É nesse momento que surge um dos grandes dilemas da burguesia: dosar a educação oferecida às camadas populares proporcionando o suficiente para o trabalho, mas não a ascensão a uma consciência crítica.  Esse dilema da burguesia atravessou os tempos e é visível o descaso das classes dominantes para com a educação básica pública.

     Mas hoje não vivemos um Estado de direitos que garante constitucionalmente a educação a todos, inclusive àqueles que não tiveram acesso na idade própria? A proclamação desse direito na Constituição Federal de 1988 é de fundamental importância. Porém, apenas a sua proclamação não basta. É preciso garantir a sua efetivação. Para isso, entendo que é preciso garantir uma educação pública com qualidade social articulada à destinação de verbas por meio de financiamento público, acesso e permanência de todos e gestão democrática do sistema educacional e da escola. Vamos à breve discussão de cada um desses pontos.

Financiamento da educação

     Quando os jesuítas chegaram ao Brasil em 1549 para colocar em prática o seu projeto educativo de catequização e aculturação dos indígenas, recebiam apenas uma verba enviada de Portugal para roupas e alimentação. Em 1564, Portugal determinou que 10% dos impostos arrecadados na colônia, verba que ficou conhecida como redizima. Por esse sistema, a educação era financiada com verbas públicas mas gerida por um setor privado religioso.

    Com a expulsão dos jesuítas em 1759 no contexto das reformas pombalinas, foram instituídas as “aulas régias”, com o Estado se responsabilizando somente com o pagamento dos salários dos professores que deveriam arcar com o espaço (geralmente suas casas) e materiais pedagógicos. Esses salários eram mantidos pelo chamado “subsidio literário”, imposto cobrado principalmente sobre a venda cachaça. Logo, os recursos eram insuficientes devido à dificuldade que a Coroa encontrava em fiscalizar a arrecadação desse imposto no Brasil do século XVIII.

     Durante o século XIX, os problemas com o financiamento da educação se agravaram devido a responsabilização das Províncias que não dispunham de recursos suficientes. Fato que realça um problema existente até os dias de hoje, que é a responsabilização de munícipios e estado por grande parte da educação sendo que a União seria o ente com mais recursos para prover uma educação de qualidade. Por isso, faz-se urgente uma discussão sobre o fortalecimento de um sistema nacional de educação e sua federalização.

    Com a república, inicia-se o tempo de vinculação de percentuais mínimos. Na Constituição de 1934, determinou um mínimo de 10% das arrecadações de impostos para a União e os municípios e 20%. No entanto, a União e os municípios não investiram mais que 8,5% e os estados não mais que 15%. Essa vinculação foi retirada da Constituição de 1937 sob a Ditadura Vargas, retornou em 1946 e foi novamente retirada na Constituição de 1969 em plena Ditadura civil-militar.

    A atual Constituição, promulgada em 1988, define que estados e municípios não podem investir menos de 25% dos impostos arrecadados e a União nunca menos de 18%. Porém, mais uma vez os donos do poder conseguem driblar o dispositivo constitucional e centram a arrecadação em contribuições (como COFINS, CIDE, a extinta CPMF) e não em imposto, reduzindo significativamente as verbas destinadas à educação pública (SAVIANI, 20014).

    No recém aprovado Plano Nacional de Educação (PNE – 2014-2024), encontramos a vinculação do financiamento da educação ao Produto Interno Bruto (PIB), como podemos observar em sua meta 20:

Meta 20: ampliar o investimento público em educação pública de forma a atingir, no mínimo, o patamar de 7% (sete por cento) do Produto Interno Bruto (PIB) do País no 5º (quinto) ano de vigência desta Lei e, no mínimo, o equivalente a 10% (dez por cento) do PIB ao final do decênio. (BRASIL, 2014)

     Essa vinculação é uma conquista histórica, mas não basta. É preciso aprofundar as discussões sobre o custo aluno-qualidade (CAQi) e também garantir formas de controle social no uso dessas verbas.

Acesso e Permanência

     Nos últimos anos, muitos avanços podem ser encontrados no que diz respeito ao acesso à educação básica. Com o ensino fundamental praticamente universalizado, às grandes demandas atuais se concentram na educação infantil e no ensino médio. É importante lembra que a educação obrigatória segundo a constituição corresponde à faixa etária dos 4 aos 17, ou seja: a pré-escola, o ensino fundamental e o ensino médio, ficando de fora a creche e o ensino superior. Porém, essa obrigatoriedade diz respeito à matrícula, pois os responsáveis que não matricularem seus filhos podem sofre as penas. Por outro, a obrigatoriedade de oferecimento pelo Estado corresponde a todos os níveis. Sendo que no caso do ensino superior, foi criado um dispositivo que garante o acesso “segundo a capacidade de cada um”. Sendo assim: o vestibular seria ferramenta para aferir essa capacidade, controlando o acesso ao ensino superior.

     Interessante, assim, notar as metas de acesso estabelecidas no PNE:

Meta 1: universalizar, até 2016, a educação infantil na pré-escola para as crianças de 4 (quatro) a 5 (cinco) anos de idade e ampliar a oferta de educação infantil em creches, de forma a atender, no mínimo, 50% (cinquenta por cento) das crianças de até 3 (três) anos até o final da vigência deste PNE.

Meta 2: universalizar o ensino fundamental de 9 (nove) anos para toda a população de 6 (seis) a 14 (quatorze) anos e garantir que pelo menos 95% (noventa e cinco por cento) dos alunos concluam essa etapa na idade recomendada, até o último ano de vigência deste PNE.

Meta 3: universalizar, até 2016, o atendimento escolar para toda a população de 15 (quinze) a 17 (dezessete) anos e elevar, até o final do período de vigência deste PNE, a taxa líquida de matrículas no ensino médio para 85% (oitenta e cinco por cento). (BRASIL, 2014)

     Mais uma verá será necessário um forte controle social para que essas metas sejam cumpridas e possamos efetivamente avançar no campo do acesso à educação.

       Ao tratar do acesso, contudo, não podemos deixar de falar da garantia de permanência na escola que também é uma garantia constitucional. Nesse sentido, nosso dever ser o de abandonar tradições negativas que muitas vezes dominam o cenário escola, como: proibição da entrada do aluno sem uniforme, proibição do aluno de participar de uma atividade por ele não ter material, a famigerada suspensão e expulsão dos alunos. Atualmente tramitam projetos de leia que visa crias mecanismo de punição aos alunos que comentem alguma infração na escola. Por enquanto, esses mecanismos ainda não existem e é inconstitucional a proibição da entrada do aluno no estabelecimento escolar em seu horário de aula regular. Na verdade, entendo que a expulsão ou a sua velação por meio da “transferência compulsória”, é apenas uma forma passar o problema para frente e não enfrenta-lo.

Gestão de democrática

     Nossos sistemas educacionais e nossas escolas ainda vivem sob a égide certo mandonismo, no qual as diferentes vozes não têm expressão e são subjugadas a figuras autoritárias. No gerenciamento dos sistemas é preciso pensar formas que garantam a participação nos conselhos que tem a função de fiscalização, aprovação e proposição de políticas públicas. No âmbito da escola, a gestão democrática deve garantir que a instituição tenha um líder em não um ultrapresidente. Para isso, deve-se pensar o fortalecimento dos conselhos de escola como instâncias máximas de poder na escola. A figura do diretor, assim, seria a de um coordenador que zela pela execução das deliberaçções do conselho de escola. É importante também pensar forma de escolha desse diretor.

    Sobre isso o PNE traz a seguinte meta:

Meta 19: assegurar condições, no prazo de 2 (dois) anos, para a efetivação da gestão democrática da educação, associada a critérios técnicos de mérito e desempenho e à consulta pública à comunidade escolar, no âmbito das escolas públicas, prevendo recursos e apoio técnico da União para tanto. (BRASIL, 2014)

     Não é mais aceito, dentro do princípio da gestão democrática, a indicação meramente política dos diretores de escola como acontece em grande parte dos municípios brasileiros. É preciso formas de escolha que levem em consideração os critérios técnicos e o envolvimento do sujeito com a comunidade em torno da escola. Por isso, é necessário se pensar processos híbridos que envolvam concursos públicos de provas e títulos e eleições que garantam o compromisso políticos daquele candidato com a escola que pretende dirigir.

Referências

BRASIL. Lei nº 13.005, de 25 junho de 2014. Aprova o Plano Nacional de Educação – PNE e dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/_Ato2011-2014/2014/Lei/L13005.htm&gt;. Acesso em: 7 de out. 2014

PONCE, Anibal. Educação e luta de classes. 20ª ed. Trad. de José Severo de Camargo Pereira. São Paulo: Cortez, 2008.

SAVIANI, Dermeval. O lunar de Sepé: paixão, dilemas e perspectivas na educação. Campinas: Autores Associados, 2014.

Ituverava_2014 (2)

Profª Madalena Gracioli (coordenadora do curso de Pedagogia da FFCL-Ituverava), Profº Jeferson Anibal Gonzalez e Profº Sebastião de Souza Lemes.

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Lançamento do “Cultura, Educação Popular e Transformação Social”

convite redes sociais, jefferson

 

SINOPSE

Entre as diversas experiências de movimentos de cultura e educação popular organizadas no período (1961-1964), o presente trabalho toma como objeto de estudo as formulações do MEB, ligado à CNBB e, por conseguinte, à Igreja Católica, e do CPC, ligado à UNE e com parte de seus membros ligados ao PCB. As ligações institucionais diferenciadas desses dois movimentos motivaram a seguinte problematização: as formulações do MEB e do CPC no tocante às concepções de cultura, educação e transformação social se distanciam por influência de suas filiações institucionais diferenciadas, quais sejam a Igreja Católica e o PCB, ou se aproximam tendo em vista o momento histórico-político, teórico-filosófico e didático-pedagógico que compartilham?

SUMÁRIO

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PREFÁCIO

Escrito pelo Prof. Dr. José Luís Sanfelice (Prof. Titular em História da Educação (UNICAMP), Pesquisador do Grupo de Estudos e Pesquisas “História, Sociedade e Educação no Brasil” – HISTEDBR).

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REPERCUSSÃO

.: Página do Evento do Evento no Facebook

.: Agenda FNAC

.: UNIESP – Rib. Preto: docente da FAFIL lança livro sobre educação

.: Docente do Moura Lacerda lança livro com o tema “Cultura, educação popular e transformação social”

COMO COMPRAR

.: SARAIVA

.: Cia. DOS LIVROS

.: LIVRARIA CULTURA

.: Paco Editorial

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E-books sobre EaD e Design Instrucional

Pessoal, publiquei como e-books dois trabalhos que foram resultados de duas especializações que concluí em 2010 e 2012, respectivamente.
Os interessados podem acessá-los por meio dos links abaixo:

Educação a distância: neoprodutivismo, novas tecnologias e compromisso político
http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/6741625/educacao-a-distancia-neoprodutivismo-novas-tecnologias-e-compromisso-politico/

Design Instrucional: projetando um curso online sobre a história da educação de jovens e adultos no Brasil
http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/6750187/desing-instrucional-projetando-um-curso-online-sobre-a-historia-da-educacao-de-jovens-e-adultos/

ebooks

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Material para estudo – Concurso PEB-SP

Material de estudo referenciado na bibliografia indicada nos itens EDUCADOR e DOCENTE da Resolução SE 52, de 14-8-2013, na qual devem se basear os concursos para professores da rede estadual de São Paulo.

EDUCADOR

1. CARVALHO, Rosita Edler. Educação Inclusiva com os Pingos nos Is. 2. ed. Porto Alegre: Mediação, 2005.

Resenha_Carvalho

Artigo da autora (tema semelhante)

2. CORTELLA, Mário Sérgio. A escola e o conhecimento:
fundamentos epistemológicos e políticos. 14. ed., São Paulo, Cortez, 2011.

Tese do autor

Resenha acadêmica

3. FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 43. ed., São Paulo: Paz e Terra, 2011.

Livro completo

4. FREITAS, Luiz Carlos de. Eliminação Adiada: o ocaso das classes populares no interior da escola e a ocultação da (má) qualidade do ensino. Educação e Sociedade, Campinas, vol. 28.
n.100 – Especial, p.965-987, out. 2007.

Artigo Completo

5. GATTI, Bernadete Angelina; BARRETO, Elba de Sá; ANDRÉ, Marli Eliza Dalmazo de Afonso. Políticas docentes no Brasil: um estado da arte. Brasília: UNESCO, 2001.

Livro Completo

6. LA TAILLE, Yves.DANTAS, Heloisa e OLIVEIRA, Marta Kohl de,Piaget, Vygotsky, Wallon: teorias psicogenéticas em discussão. 24. ed. São Paulo: Summus, 1992.

Livro Completo

Resenha_LaTAILLE

7. MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro, UNESCO/Cortez Editora, cap. III e IV, p. 47-78, e cp. VI, 93-104, 2000.

Livro Completo

8. RIOS, Terezinha Azerêdo. Ética e competência. 20. ed., São Paulo: Cortez, 2011.

Artigo da Autora (tema semelhante)

9. SACRISTÀN, J. Gimeno; PÉREZ GOMES, A. I. Compreender e transformar o ensino. 4. ed. Porto Alegre: ARTMED, 2000.

Resenha 

10. SAVIANI, Dermeval. Histórias das ideias pedagógicas no Brasil. Campinas; Autores Associados, 2010.

Artigo do Autor (tema semelhante)

11. TEIXEIRA, Anísio. A escola pública universal e gratuita.
Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos. Rio de Janeiro, v.26, n.64, out./dez. 1956. p.3-27.

Artigo Completo

DOCENTE

1. ABRAMOVAY, Miriam; CASTRO, Mary Garcia; SILVA, Lorena Bernadete. Juventudes e sexualidade. Brasília: UNESCO Brasil, 2004.

Livro Completo

2. FREURI, Reinaldo Matias. Educação intercultural: mediações necessárias. Rio de Janeiro: Editora DPA, 2003.

Artigo do Autor (tema semelhante)

3. LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação da aprendizagem escolar, 22. ed., São Paulo: Cortez Editora, 2011.

Capítulo II do Livro

Artigo do Autor (tema semelhante)

4. MOREIRA, Antonio Flavio Barbosa. Currículo, diferença cultural e diálogo. Revista Educação & Sociedade, ano XXIII, n. 79. Agosto/2002, p. 15-38.

Artigo Completo

5. TARDIF, Maurice; LESSARD, Claude. O trabalho docente:
elementos para uma teoria da docência como profissão de interações humanas. Rio de Janeiro, Petrópolis: Vozes, 2005.

Artigo_1 (tema semelhante)

Artigo do Tardif

6. SILVA, Tomaz Tadeu da. Documentos de identidade: uma introdução às teorias do currículo. 2. ed. Belo Horizonte: Editora Autêntica, 2004.

Resenha Acadêmica_1

Resenha Acadêmica_2

Introdução do Livro

7. ZABALA, Antoni; ARNAU, Laia. Como aprender e ensinar competências. Porto Alegre: Artmed, 2010.

Resenha Acadêmica

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CONAE 2014

Descrição: Slides da minha fala no Eixo III da Conferência Intermunicipal de Educação em Ribeirão Preto-SP no dia 3o/07/2013 – etapa preparatória para a CONAE 2014.

CONAE2014_Jeferson

Slides em ppsx. (Aqui)

Slides em pdf. (Aqui)

Boa leitura!

Abraços,

Jeferson

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Atuação política do professor

Descrição: Texto utilizado como base para a fala realizada no dia 30/08/2012  na FFCLRP/USP como comemoração aos 1o anos do curso de Pedagogia da instituição.

Atuação política do professor

Jeferson Anibal Gonzalez

Agradeço aos organizadores pelo convite e oportunidade de retornar à universidade a qual dediquei cinco anos de estudo, trabalho e militância. Concluí o curso de Pedagogia em 2006, iniciando minha carreira docente na educação básica em 2007 e em 2009 no ensino superior. Considero a formação que tive aqui, entre aulas, palestras e, principalmente no debates políticos travados no âmbito acadêmico e na militância estudantil como essencial a minha prática docente e atuação política. Muitos professores e colegas foram fundamentais nesse processo, seja na orientação, na transmissão de seus conhecimentos ou mesmo no contraponto necessário de ideias e concepções.

O tema da mesa – Relação do curso de Pedagogia com o mundo do trabalho – é particularmente instigante, pois por referencial teórico-metodológico tenho me pautado pelo trabalho como princípio educativo, tendo em vista a educação como atualização histórico-cultural dos seres humanos.

Foi-me designado tratar do tema Atuação política do professor. Primeiramente, é importante esclarecer o quê vou considerar como “política”. É fato que o termo pode conter diferentes significações, mas aqui priorizo a compreensão da política como projeto de sociedade. Assim, entendo a atuação política como determinado projeto de sociedade colocado em ação.  Isso nos leva a uma conclusão: para se atuar politicamente é necessário ter em foco um projeto de sociedade, a organização societária que se pretende defender. Posto isso, é preciso discutir outra questão: se atuação política diz respeito à sociedade e o professor tem a educação como seu campo de ação, como relacionar essas grandes esferas – sociedade e educação?

No âmbito acadêmico, a relação entre sociedade e educação sustenta calorosos debates. Como lembra o professor Dermeval Saviani, grosso modo as concepções se dividiriam em dois grandes grupos: não-críticas e crítico-reprodutivistas.  As concepções não-críticas são aquelas que compreendem a sociedade e a educação como polos separados, sendo possível que a educação unidirecionalmente transforme a sociedade. Já as crítico-reprodutivistas, consideram a educação como elemento exclusivamente determinado pela sociedade; não sendo possível qualquer influência contrária, ou seja, da educação em relação à sociedade. No entanto, os estudos realizados durante o curso, a experiência profissional, a militância no movimento estudantil e posteriormente no movimento docente levam ao entendimento da questão a um outro caminho, qual seja, a relação dialética entre sociedade e educação, na qual o elemento determinado, em condições determinadas, também influencia o elemento determinante. Em síntese, compreendo que a educação é determinada pelos seus condicionantes sociais, políticos e econômicos, mas devido ao aspecto dinâmico das lutas de classes na sociedade e na educação, é possível, por meio da atuação política, construir perspectivas transformadoras.

A concepção dialética, nesse sentido, é fundamental para reconhecermos as possibilidades de atuação política no campo educacional. Para delimitar um pouco esse campo, vou fazer referência aqui a quatro espaços privilegiados de atuação política do professor: organizações de classe (sindicato, associações e coletivos), o sistema educativo por meio dos conselhos de educação, a escola e a sala de aula.

Nas organizações de classe, a atuação política, dirão alguns críticos, muitas vezes se perde na luta econômica. Entendo que essa é uma visão parcial sobre a luta econômica, pois não a compreende como fundamental para a garantia das condições necessárias ao trabalho docente. No caso específico dos pedagogos, a luta por meus salários – ou mesmo por isonomia salarial em relação aos demais professores formados em licenciaturas específicas – é parte fundamental da luta pelo reconhecimento de seu trabalho – professores com mesmo nível de formação, jornada e tempo de serviço devem receber o mesmo salário; outra bandeira importante é a garantia de carga horária destinada aos estudos, planejamento e preparação de atividades, incorporada e realizada durante a jornada de trabalho; a lei federal no. 11.738, conhecida como Lei do Piso, avança nesse sentido delimitando uma jornada máxima 40h (48h/a) semanais e 1/3 dessa jornada no mínimo dever ser cumprida em atividade sem os alunos; no entanto, a letra da lei abre espaços para diferentes interpretações, o que gera problemas em sua implementação pelas redes estaduais e municipais.

Para a garantia da participação popular nos rumos das políticas educacionais é fundamental a atuação nos conselhos de educação é fundamental. O primeiro grande desafio, no entanto, é a luta para que os conselhos não se caracterizem como órgão de governos, pois se assim for, perde o seu poder de servir como mediador da vontade popular e passa a funcionar apenas como legitimador das políticas geridas pelos governantes a partir de um consenso fabricado. O papel político do professor, nesse sentido, reveste-se de um caráter organizativo e representativo essencial à construção de uma educação de qualidade socialmente referenciada.

No âmbito da escola, a atuação do professor demanda a participação em seu principal espaço deliberativo, qual seja, o conselho de escola. Esse espaço, em muitas escolas, reflete a estrutura burocrática e rigidamente hierárquica na qual a figura do diretor aparece como máxima, caracterizando um ultrapresidencialismo. As possibilidades do conselho de escola servir como ferramentas organizativas são minadas quando seu funcionamento se restringe à coleta de assinaturas de seus membros para endossar decisões tomadas unilateralmente pelos gestores.

Encerrando os espaços de atuação política do professor que elenquei, a escola parece como um lugar muitas vezes esquecido. Atuação política na sala de aula? Mas isso não seria doutrinação ideológica? Lembrando o conceito de política identificado a determinado projeto de sociedade é preciso entender que nossa atuação na sala de aula é sempre mediada por determinada concepção. Para qual sociedade estamos formando nossos alunos? Essa é questão que baliza a atuação política do professor na sala de aula. Temas centrais, porém esquecidos, nesse espaço são os métodos, os procedimentos teórico-metodológicos e os recursos didático-pedagógicos. Digo esquecidos porque a hegemonia de determinada concepção atingiu um nível tão alto que parece não existir vida fora dela e quem se atreve a traçar outros caminhos logo é tachado de tradicionalista, retrógado, avesso às mudanças, um verdadeiro herege. Assim, uma das lutas principais é garantir o princípio de pluralidade de ideias pedagógicas, pautando o trabalho educativo na sala de aula pelo projeto de sociedade que pretendemos defender.

Como assinala Karl Marx: “Os homens fazem sua própria história, mas não a fazem como querem; não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado”. Desse modo, é preciso reconhecer os espaços de atuação política do professor como lugar determinado não por nossas vontades individuais, mas por determinações sociais, econômica, políticas e culturais. Essa constatação, no entanto, não deve limitar nossa ação e crítica, mas nos ajudar a enxerga no âmbito da luta de classes, a organização coletiva do trabalho educativo, tendo como horizonte o projeto moderno ainda não realizado: garantia de educação pública de qualidade para todo!

FFCLRP (30/08/2012)

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Dissertação

Cultura, educação popular e transformação social nas formulações do MEB e do CPC (1961-1964)

Resumo: O objeto de estudo deste trabalho são as formulações do Movimento de Educação de Base (MEB) e do Centro Popular de Cultura (CPC) na primeira metade da década de 1960. Por meio de pesquisa teórico-bibliográfica e documental, buscou-se: 1) compreender o contexto histórico-político, social e econômico no qual surgiram o MEB e o CPC; 2) apreender as concepções de educação, cultura popular e transformação social presentes nas formulações dos dois movimentos; 3) explicitar o momento teórico-filosófico e suas influências nessas formulações; e 4) analisar o debate teórico presente nos dois movimentos sobre os procedimentos metodológicos de trabalho junto às massas. Apresenta-se o trabalho em três capítulos: no primeiro, é realizada a resenha histórica do período com o estudo de seus aspectos políticos e econômicos, a identificação de três instituições-base (Igreja Católica, o Partido Comunista Brasileiro – PCB e o Instituto Superior de Estudos Brasileiros – ISEB), os aspectos educacionais e uma apresentação geral dos movimentos. No segundo capítulo, expõe-se as formulações do MEB e do CPC a partir dos materiais produzidos pelos próprios movimentos. No último capítulo, analisam-se as concepções dos movimentos com o auxilio dos conceitos de romantismo revolucionário, realismo em educação e pedagogias não-diretivas. Como conclusão, aponta-se que apesar da origem institucional diferenciada dos movimentos, suas formulações são conflitantes apenas pontualmente, sobressaindo-se a aproximação entre ambos mediada pela ideologia do nacional-desenvolvimentismo na aliança política pelas reformas de base.

Disponível em: http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?code=000847664&fd=y

Jeferson Gonzalez e José Luis Sanfelice (orientador)

Jeferson Gonzalez e José Luis Sanfelice (orientador)

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Comunicação em História da Educação

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Professor Viver Digital 2011

Socializo o projeto com o qual ganhei o Prêmio Professor Digital 2011 e aproveito para agradecer a todos que contribuíram para essa conquista. Muito obrigado a todos!

Para baixar o projeto, clique aqui!

Para baixar o objeto de aprendizagem, clique aqui!

Repercussão:

Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto http://migre.me/7IWtn

Programa Viver Digital http://migre.me/7IWhx

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Por uma Universidade Popular!

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