Educação e Violência

Educação e Violência

Jeferson Gonzalez

“O exército! Onde está o exército?”. O exército chegou. A polícia invadiu. Prendeu. Matou. Enquanto isso, a pequena burguesia no asfalto aplaudiu. Brindou. Regozijou-se. Mais uma vez quem paga a conta são os trabalhadores acuados em suas casas, reféns dos traficantes, das milícias e da ausência de políticas sociais. Ah, as políticas sociais… Já se falou muito que violência e criminalidade são questões de políticas sociais. Concordo! Mas vamos devagar com o andor… Lembre-se que uma das políticas sociais mais citadas nesses casos é a educação. Seria correto falar que a violência presente é por falta de educação do povo?

Recordo os ataques do PCC no estado de São Paulo… Não demoraram a bradar nos meios de comunicação que o problema era a educação. Lembro da resposta dada pelo professor Marcos Cassin quando interpelado por um repórter sobre a possibilidade da educação sanar a violência e a criminalidade. Cassin respondeu da seguinte maneira: “com mais educação somente garantiríamos um assaltante mais educado: Por favor, vossa excelência poderia ceder sua carteira”.

O fato é que a violência é um problema social mais complexo que a falta de educação, pois envolve um bloco maior de políticas como saúde, moradia e emprego. A educação forma a mão de obra, mas não cria postos de trabalho. Ou seja, somente ampliar o oferecimento da educação não atinge o mínimo necessário para a garantia de uma sociedade justa e igualitária (percebam que aqui nem estou questionando a qualidade da educação oferecida às camadas populares), mas engrossa o exército de reserva de mão de obra.

Na mesma linha, é preciso entender que as políticas públicas não são frutos de mágica. Ao contrário, são determinadas por relações de classe no âmbito do poder. Assim, sob a hegemonia da classe dominante, dificilmente os problemas sociais serão resolvidos. No entanto, a luta por políticas sociais, entre elas a educação, é parte essencial da construção de qualquer projeto contra-hegemônico. Certo filósofo diria: “o Estado não paira sobre nossas cabeças”. Por conseguinte, as políticas também não.

O que aconteceu essa semana no Rio de Janeiro deve ser entendido como resultado do descaso do poder público (leia-se estatal e seu caráter de classe) em relação aos serviços essenciais à sobrevivência das camadas populares. A ação das forças armadas é necessária? Sim, caso o objetivo de tal ação fosse realmente proteger os trabalhadores daquela região. Será esse o real motivo? Quem está morrendo nos becos e vielas? Quando ouvimos na fila do açougue coisa do tipo “os militares estão limpando o Rio de Janeiro”, encontramos alguns caminhos à resposta…

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Sobre jefersongonzalez

Pedagogo (FFCLRP/USP) e Mestre em Educação (FE/UNICAMP). Professor na educação básica e no ensino superior. E-mail: jefersonag@yahoo.com.br.
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5 respostas para Educação e Violência

  1. Matheus (burns) disse:

    “com mais educação somente garantiríamos um assaltante mais educado: Por favor, vossa excelência poderia ceder sua carteira”.
    huahauhauhauahuahuahau
    Morri de rir!

  2. Marco Meda disse:

    Esse é o Jefinho que eu conheço! Parabéns pelo ótimo profissional que você se tornou! Grandioso!

    “Pequenos homens falam de pessoas…
    Homens médios falam de coisas…
    Grandes homens falam de PROJETOS!”

    Um grande abraço e parabéns pelo BLOG!

    “Marquinho” Meda

    • jefersongonzalez disse:

      Obrigado, Mako!
      Sabe que eu te admiro muito também!
      Vamos ver se qualquer dias desses conversamos sobre umas ideias que tenho sobre “tecnologia e educação”, Ok!?!
      Abração!

  3. Pão, parabéns pelo Blogue e pela produção de alto nível.
    Grande abraço!

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